Morte

De Wikinet
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Tem uma famosa frase de um escritor católico francês que, quando eu li, fiquei muito assustado, "o perigo que nós corremos não é só o de morrer, mas de morrer como idiotas", ela dizia, e aquilo me deu um calafrio na espinha, você vê milhões de pessoas que morrem como idiotas, que morrem sem nunca ter pensado o que é que é morte. Mas veja que coisa mais idiota: nós sabemos que vamos morrer, temos um prazo para viver aqui, um prazo mais ou menos indefinido, há uma média estatística de duração de vida, depois nós vamos morrer, e as pessoas não querem saber o que é que é morte – como é possível? Acho que todo mundo deveria se interessar por isso porque é algo que vai acontecer com todos nós, e, no entanto, as pessoas se preocupam se o pau delas vai se levantar no dia seguinte, como se a humanidade estivesse muito interessada nisso, se o sujeito não levantar o seu pau vai haver uma crise universal, ou vamos morrer de fome, mas acontece que, se o sujeito não levantar o seu pau, sua mulher vai dar pra outro, e isso é o máximo que pode acontecer, e são coisas que estão acontecendo desde que o mundo é mundo. Então, a futilidade das preocupações das pessoas é algo que me impressiona cada vez mais, a futilidade das minhas próprias preocupações passadas me impressiona. Eu vejo, por exemplo, que as pessoas perdem tempo pra saber se elas estão agradando, se elas não estão agradando; se as outras gostam dela, se não gostam dela; ficam como umas idiotas puxando aquela florzinha: bem-me-quer, mal-me-quer.

Seriosamente, como os anões lidam com isso?


178 Com punheta todo dia e imageboards.


Bem, OP, você deu o primeiro passo pra sair da bruma de ignorância e começar a lidar com a vida de modo sério. Ao meu ver (não quero posar de detentor da verdade aqui, isso é só o que eu penso sobre o assunto), é impossível elevar-se acima da mentalidade doente da nossa época e não sentir um terrível desespero. É normal. E a maior experiência para o homem elevar-se desse modo é a experiência da morte. A morte sempre trouxe para o sujeito o maior dos desesperos. Aliás uma diferença fundamental entre o homem e o animal irracional é a consciência da morte, a consciência de que um dia você não vai mais andar, olhar, respirar, pensar, e o que você chama de 'eu', o que você construiu ternamente durante anos, todos os dias, desaparece. Não digo isso sob uma perspectiva exclusivamente ateísta. Todo religioso tem que lidar com essa consciência, do mesmo modo. Não existe essa de 'muleta emocional', a consciência honesta do religioso passa por crises tão grandes (senão maiores) que as do ateu médio. E a experiência da morte é universal, o horror dessa crise, desse rompimento da malha da realidade, é o que motiva as forças interiores do homem a se rebelar, a sair desse conforto aparente que a sociedade cria. Porque a questão da morte realmente não tem lugar numa sociedade niilista e hedonista como a nossa. Todas as forças agem no sentido de fazer-nos esquecer disso tudo. Por todos os lados construiu-se uma ilusão de que tudo, no fim, vai ficar bem. Perdeu-se a consciência de que o homem é falho, extremamente falho, como todos os outros animais. E a nossa geração, que não sabe o que é a morte, que não sabe o que a natureza humana faz diante do nada da vida, é incapaz de levantar tais questões. Nós somos uma geração de paus-moles. E é por isso que os monges e os misantropos se recolhem em suas grutas, para fugir dessa pau-molice do homem médio. Eis aí o primeiro passo, OP, para continuar com seu questionamento: esqueça os outros. Agora começou um movimento interior. Os outros são idiotas e gostam de viver na idiotice. Eles estão confortáveis assim. Você, assim como todos os homens do subsolo, é um lobo solitário, e deve ignorar e permanecer forte diante dessa canalhice toda. É imbecil querer mudar todo mundo, querer entender o motivo de todo mundo ser idiota, antes de entender o que se opera dentro de si mesmo. É a velha questão do conhecer-se a si mesmo. Antes de querer mudar o mundo, mude você mesmo. É o que todos os revolucionários ignoram. Eu passei pelo mesmo que você, OP. Esqueça dos outros. Você só poderá fazer algo por eles depois que realmente ultrapassar a mentalidade letárgica da nossa época. Os santos e os loucos só ajudam os pobres e os miseráveis depois de muita solidão e introspecção. Não jogue pérolas aos porcos.

tl;dr: >>178


A morte é natural, faz parte do ciclo da vida, tudo nasce e morre para que a vida possa continuar, na natureza é apenas isso. Só isso se aplica a realidade e essa sua preocupação com a morte não ira te acrescentar nada, afinal você sabe tão pouco sobre a morte quanto todas os outras pessoas.


Não há diferença entre viver pensando em X ou em Y quando, no final das contas, acredita-se apenas na vida terrestre; afinal, tudo virará pó.

Aqueles que preferiram não pensar na morte fizeram uma escolha de pensar em outras coisas - como diversão, trabalho, família - e, mesmo que nunca tenham contemplado 100% a ideia de desaparecer, fizeram valer seus momentos de vida assim como você, que pensou nisso e decidiu aproveitar bem a vida.

Se você estiver sugerindo que o homem deve se questionar sobre a morte a fim de criar uma solução, aí a história já é outra; concordo que seria ótimo se a humanidade inteira procurasse maneiras de evitar a morte, pois teríamos mais chances de encontrar.

Mas muitos desacreditam que isso seja possível e preferem não arriscar jogar a vida fora procurando por algo incerto: aproveitam o tempo que têm.

Você parece estar na fase inicial do niilismo, quando finalmente entende o tamanho do "problema" que envolve a existência. O melhor que posso recomendar é que você encontre um objetivo para a sua vida, pensar na morte, se não for para buscar uma solução, é um exercício vão. Eu vivo para deixar um legado e, dessa forma, vencer a morte por algumas décadas ou, com sorte, séculos após deixar de existir.