Revistinhas suecas de sacanagem

De Wikinet
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Nos anos 1970, no Brasil, o punheteiro tinha poucas opções onde buscar inspiração. Naquela época, vivia-se (ou sobrevivia-se) ao auge da ditadura militar instalada no poder em 1964, e que havia aumentado sua truculência de forma brutal a partir do AI-5, em 1968.

As alternativas eram, além das depósitos IRL (o que sempre inspirou os homens, desde a Idade da Pedra), as raras aparições de bundas e peitos no cinema (nas pornochanchadas) e nas revistas brasileiras. As revistas daquela época eram de três tipos: as revistas femininas eram uma merda, as revistas masculinas tinham no máximo imagens de depósitos mostrando os peitos (e, hoje, seriam classificadas como revistas de glamour, mesmo assim os censores não deixavam que as depósitos aparecessem com os peitos nus, elas tinham que usar alguma coisa, nem que fosse um colar[1]) e as revistas gerais, como a revista Manchete ou a Fatos & Fotos que, se não tinham gostosas pagando peitinho, eram recheadas de imagens das atrizes famosas fazendo teasing.

Ou seja, o que falta?

Não tinha nudez e muito menos pornografia. Basta lembrar que a fonte de pornografia da década anterior, o Catecismo do Carlos Zéfiro (que era pornografia em desenho) já havia desaparecido, porque seu autor ficou com medo da ditadura.

Esta falha lastimável no panorama cultural nacional era suprida, então, por um produto importado: as revistinhas suecas de sacanagem.[2]

As revistinhas suecas de sacanagem eram produções semi-amadoras, trazendo depósitos que mostravam tudo, além ter ensaios com pornografia lésbica[3] ou mesmo com pau na buceta e no cu.[4] Havia também revistas especializadas em fetiche, por exemplo uma delas tinha o sugestivo título de 2+2 e mostrava cenas MFFM.

Estas revistas vinham escondidas nas malas dos turistas, e, obviamente, o pessoal da alfândega, sempre disposto a fazer cumprir a lei, quando pegava uma revista destas a confiscava (a menos que o infrator passasse uma bela propina), mas o resultado final era o mesmo: a revista, eventualmente, caía no mercado paralelo, sendo negociada por um valor bem maior do que o preço justo, seu valor de capa.

A procedência das revistas, apesar do nome, nem sempre era a Suécia, havia revistas suecas de sacanagem que vinham da Dinamarca [5] e Holanda,[6] [7] mas como o pessoal não sabia mesmo ler as merdas que estavam escritas, e as depósitos eram quase todas louras, todas revistas viraram revistas suecas de sacanagem.

O impacto cultural destas revistas foi que a Suécia passou a ser considerado o paraíso na Terra, país onde só havia depósitos louras, gostosas e ninfomaníacas. Assim como nos anos 1990 e na primeira década do século XXI bastava falar a palavra "checa" que qualquer adolescente já ficava de pau duro pensando nas modelos e pornstars checas, este efeito era produzido, nos anos 1970, quando se falava em "sueca" (e, de acordo com nossas previsões, a palavra mágica nas próximas décadas será "russa").

A hegemonia sueca durou até os anos 1980, quando o Brasil, depois de derrotar a ditadura, passou a produzir material erótico e pornográfico de qualidade, com depósitos gostosas de todos os tipos físicos possíveis (teens ou peitudas, louras, morenas, asiáticas ou pardas; só ficaram de fora as negras).

Então chega a ser paradoxal que a Suécia, um país associado à liberdade e à luta contra a tirania, hoje em dia seja lembrado como um país de merda, cheio de muçulmanos fanáticos e onde a liberdade de expressão é reprimida com truculência, como no caso do Wikileaks.[8]

Referências